segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Hoje tem marmelada? Hoje tem goiabada?


Quem já fez parte de tribunais do júri sabe a responsabilidade que há em representar toda a sociedade ao se colocar como juiz de fato em determinada questão.
No início do mais democrático processo de julgamento, o presidente do Tribunal, juiz togado, sempre expõe ao corpo de jurados a sua importância de estar ali exercendo a sua cidadania. Adverte sobre os impedimentos legais; relação de amizade, parentesco, desafeto, enfim, mesmo que indiretamente não se pode ter qualquer convivência para com as partes do processo (réu, autor, promotoria, etc) da ação. Cabe ainda lembrar que, o jurado deverá possuir “notória idoneidade moral” como manda a Constituição. Tudo extremamente às claras. No Brasil, se faz necessário constituir o “júri popular” nos crimes intencionais contra a vida.
Um processo diferente é o de cassação de políticos eleitos pelo voto direto, estes possuem o “foro privilegiado”. Ou seria “desaforo”? Foro Privilegiado é um legado do tempo que o Brasil era colônia portuguesa, e nada mais é que o direito a não ser julgado pelos mesmos tribunais que a maioria dos cidadãos brasileiros que violam as leis o é. Uma regalia arcaica, ultrapassada e insolente a todos cidadãos brasileiros.
Manifesto isso porque, nesta semana tivemos o arquivamento do Processo de “Impeachment” da governadora Yeda Crusius. Não vou entrar no mérito da questão, quero destacar apenas ao “tipo de julgamento” a que ela foi submetida, por possuir o tal foro privilegiado. Foi formada uma comissão de deputados para apreciação do pedido de “Impeachment” e todo o processo, possíveis provas, documentos, indícios, etc. Neste tribunal “especial”, esta comissão faz o papel do Ministério Público. A relatora; que faz a parte da Promotoria Pública é uma correligionária da governadora. O restante dos parlamentares, são os juízes de fato podem votar contra ou a favor da relatoria, mas lembre-se que todos tem alguma relação com a Governadora ou são situação, ou são oposição. Muitos colegas de partido possuem cargos nos mais variados escalões, todos subordinados a Governadora. E não esqueça, o mandato deles pertence à legenda e, os cargos trazem benefícios à mesma.
Onde está a democracia neste caso? A relatora está a serviço do povo ou do seu partido? Os deputados votarão contra si mesmo? Sob pena de prejudicar seus correligionários? E o comando do partido numa hora dessas : “não seria o momento de pleitear mais espaço em troca de apoio ao governo?” Está aberto o balcão de negócios! Sempre durante e após essas discussões há uma série trocas e realocações de cargos públicos, está aí na imprensa é só procurar. E não é novidade nenhuma e nem privilégio de nós gaúchos, se repete a cada CPI, do Oiapoque ao Chuí.
É sempre assim, o mesmo roteiro. Não tem tudo de um espetáculo circence?
-Tem, sim senhor!
E o palhaço quem que é?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Inauguração

Caraca, dá um nervoso fazer isso! Acho que vou gostar desta parada! Espero que não seja o único! É isso aí!!!

Aos mestres, com carinho

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
Cora Coralina

Após muito esforço para criar coragem de colocar em prática um antigo sonho, está no ar o meu Blog. Instigado por amigos distantes que também possuem Blogs (Osvali e Xax Power, recomendo!) estou iniciando as postagens aqui, amigos com raro talento para escrever, diga-se de passagem, e não menos para fazer e preservar amizades.
Sempre me fascinou a idéia de fazer minhas opiniões, sentimentos, conhecimentos (quanta presunção!) chegar a um infinito de pessoas e lugares. Quanto bem podemos trazer com nossas opiniões? Quantas pessoas podemos influenciar com nossos conhecimentos? Por experiência própria, de tudo o que leio, escuto, enfim, toda informação que consumo; vou formando minha opinião e posição perante o mundo.
Numa data em que se reverencia os professores, nada mais justo do que dedicar a eles e à sua nobre missão, o pontapé inicial de um projeto de enorme significado pra mim. Lembro muito bem do meu 1º ano na escola, minha professora era hippie, tempos depois fui aprender porque ela era tão diferente das outras “tias”. Talvez venha de lá toda a noção de liberdade de expressão que prezo e defendo. Nota-se aí quão importantes são estes seres vocacionados por ensinar e aprender também. Embora apenas na fase de alfabetização, muito da nossa percepção de mundo e necessidade de adquirir conhecimentos, é plantada nos primeiros anos de escola.
No final do ensino fundamental tive um professor, que era o típico estereótipo do professor “durão”, correto, retilínio. Tinha uma facilidade para transmitir suas idéias e todo um método durante as aulas, testes, provas tipicamente militar. Isto foi muito útil para a próxima etapa, o Ensino Médio/Técnico, época de muita competitividade.
Em escolas públicas, competitividade sempre foi salutar, num ambiente de ingresso muito disputado. Sou oriundo do antigo 2º Grau Técnico, era o atual Ensino Médio e Técnico concomitantes, totalmente integrados, algo que já não existe mais. Foram quatro anos de muito aprendizado, conhecimentos técnicos que trago até os dias de hoje em minha atividade profissional. Todavia foi justamente onde aprendi que conhecimento técnico/científico é algo que certamente há na totalidade das instituições de ensino do país, mas não é o mais importante. Por uma série de acontecimentos, construímos relações de amizade com a maioria dos nossos professores, algo que quebrou aquele “degrau” que há na relação professor/aluno. E isso nos trouxe humanismo em todas as relações de convivência que teríamos por diante, seja profissional, pessoal...
Por tudo isso descrito acima, destaco quão notável é essa missão de ensinar e aprender! E vem de encontro com as indagações do início da postagem a respeito de influenciar e trazer o bem a inúmeras pessoas. Se dizem que o “conhecimento move o mundo”, o que dizer a quem nos leva até ele? Muito obrigado por sua vocação!
Aos mestres com carinho!